Eu estudei na escola de propaganda e marketing mais desejada do Brasil: a ESPM. Nos meus quatro anos de ESPM eu nunca fui apresentado a uma matéria chamada EMPREENDEDORISMO. Eu nunca fui apresentado a nenhum tipo de aula sobre como abrir uma agência de propaganda, uma consultoria de marketing ou qualquer coisa do tipo.
Fora as aulas, as palestras esporádicas que a faculdade oferecia aos alunos eram sempre com alguma figura famosa da propaganda brasileira mostrando o seu rolo de comerciais premiados em Cannes. 9,5 em cada 10 amigos que estudaram comigo queriam trabalhar em grandes empresas e grandes agências. O sonho do ESPMer nos anos 90 era virar estagiário do Julio Ribeiro da Talent, mesmo que fosse para trabalhar de graça.
Eu estudei na ESPM no início dos anos noventa e posso garantir a vocês que nada mudou em 15 anos. Tudo continua igual. A única diferença é que a molecada hoje quer trabalhar na África ou Agência Click.
Eu acredito que as escolas de negócios deveriam ensinar, incentivar, promover e evangelizar o EMPREENDEDORISMO como caminho para os seus alunos serem bem sucedidos na vida.
Mesmo porque a Agência Click tem meia dúzia de vagas de estágio, e a faculdade tem 600 alunos.
Mas o quê exatamente as escolas de negócios deveriam ensinar sobre empreendedorismo?
1. Lidar com as pessoas
No final de uma faculdade de administração de quatro anos, os jovens passam seis meses fazendo um trabalho de conclusão de curso pasteurizado prá daná. A molecada segue o template que o professor recomenda: “fazer um documento completo com visão, missão, valores, metas, números, swot, balanced scorecard, análise competitiva, tecnologia, estratégia, balancete etc”.
A faculdade ensina que o jovem tem que ter um plano bem feito e bem estruturado para a empresa acontecer e depois, basta implementá-lo para a coisa toda acontecer. Ledo engano. A escola esquece de ensinar que existe o componente pessoas nas empresas e que esse recurso pode acabar com o super bem estruturado plano de papel.
SUGESTÃO PARA AS ESCOLINHAS DE BUSINESS: Criar a matéria “Aprender a lidar com seres humanos”, onde a molecada será submetida a exercícios de campo onde terão que aprender a influenciar e engajar pessoas de diferentes formações e posições.
2. Ética
A molecada sai da escola sabendo o que são os 4P’s do marketing, mas em nenhum momento são forçadas a refletir sobre as premissas que devem levar em conta ao escolher fornecedores para um determinado produto, formatar políticas de preços para diferentes tipos de clientes e tratar as pessoas.
A faculdade “ensina” o jovem a desejar crescer na vida, mas não fala nada sobre como crescer fazendo o bem para os outros e para si mesmo. Crescer por crescer é a filosofia da célula do câncer!
SUGESTÃO PARA AS ESCOLINHAS DE BUSINESS: Criar a matéria “Ganha Ganha Ganha”, onde a molecada é obrigada a participar de jogos, simulações e interações sobre a aplicação de diferentes éticas no mundo dos negócios.
3. Ter uma Vida
A grande maioria das pessoas que resolvem se tornar empreendedoras o fazem pensando que poderão levar a vida como bem entender. Infelizmente, 99% vai perceber logo no início que o negócio nunca fecha e que o empreendedor nunca pode realmente abandonar a empresa na mão dos funcionários.
É incrivelmente difícil você levar uma vida balanceada quando você é dono do seu próprio negócio. Realmente difícil. Mas é possível. Eu conheço gente que consegue e por isso acredito que é possível.
Família, filhos, estudos, viagens, saúde, exercício para o corpo, exercício para o espírito são visões da vida que de alguma maneira precisam andar em conjunto com a empresa. É difícil, mas é possível.
SUGESTÃO PARA AS ESCOLINHAS DE BUSINESS: Criar a matéria “Vida Empreendedora” para ensinar os jovens a lidar com as diferentes cobranças que a vida terá sobre quem é empreendedor.
4. Risco
A verdade é que a grande maioria das pessoas entra em uma faculdade na esperança de sair de lá com seguro de vida que lhe garanta emprego, bons salários, mulheres bonitas e status. A grande realidade é que nada é certo, principalmente quando o assunto é empreender.
SUGESTÃO PARA AS ESCOLINHAS DE BUSINESS: Criar uma matéria chamada “Tudo ou Nada” onde a molecada é levada por exercícios que as expõe ao risco de ter tudo ou nada, falar em público, fazer besteira, resiliência e muito mais.
5. Quando investir e quando não investir
Empreendedor é tudo maluco. O cara visualiza uma ideia e sai fazendo as coisas sem qualquer estudo ou preparo.
O Empreendedor é movido pela paixão, o que é bem legal, mas o cara se instrumbica como ninguém. Nem tudo é convergente, nem tudo é compatível, nem tudo é necessário. Não é porque você vende cartucho de impressão que você deve vender impressoras.
SUGESTÃO PARA AS ESCOLINHAS DE BUSINESS: Criar uma matéria chamada “Conquistar 50 territórios ou 3 continentes a sua escolha”, onde o jovem será levado a aprender a como manter territórios enquanto avança mundo afora.
Tô saindo com uma tocha na mão para incendiar as escolas de negócios, quem quer ir comigo?
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nota: este texto é do ótimo Ricardo Jordão Magalhães mas eu assino embaixo de cada palavra, passei pela mesma experiência na mesma ESPM.
texto lido aqui e aqui.



























































Ótimo texto, e melhor ainda a intenção de publica-lo aqui e em todos os outros links de refêrencia.
A grande questão que eu vejo, e que eu me pergunto hoje em dia, pois estou começando a minha vida de empreendedor é o seguinte – Sabemos que as faculdades não são ageis o suficiente para adequar a realidade para dentro das salas de aula, e que provavelmente essas matérias demorarão ainda alguns anos para poder entrar na grade de uma grande faculdade – Então aonde aprender sobre isso? Além do Sebrae que é uma ótima fonte, aonde mais podemos buscar informações que acresçam na nossa formação como empreendedores?
Fica a pergunta abraços
Rhamsés,
além do Sebrae, a Endeavor (http://www.endeavor.org.br) é uma ótima fonte de informação para os empreendedores. Fique atento ao site e se cadastre na newsletter deles que sempre rolam uns cursos bacanas.
Vamos ver se mais alguém contribui com dicas…
Gostei do assunto do seu post, aliás muito pertinente a realidade das escolas de negócios.
Posso lhe falar pois estou fazendo um curso de MBA, porém existe uma diferença o MBA é em Empreendedorismo Tecnológico com ênfase em TI na PUC-PR e é focado exatamente nestes pontos que você citou, diferentemente dos outros que já existem, por ser novo ele prepara a grande maioria dos alunos a pensar, agir e planejar como um empreendedor. Por se tratar de tecnologia onde há muita gente querendo se lançar no mercado apenas com uma idéia na cabeça e sem nenhum planjamento ou estratégia de mercado as pessoas devem analisar inicialmente o possível sucesso ou fracasso (que a maioria não vai querer nem ouvir falar, pois como você mesmo disse “empreendedor é movido pela paixão” e a razão é deixada pra trás).
Só gostaria de deixar meu feedback aqui mostrando que já existem iniciativas com as características apontados no seu texto.
Muito bom o tema, parabéns.
Thiago Nascimento
Ótimo texto.
Fiz Mackenzie, e te falo que lá é mais ou menos a mesma coisa. A não ser por uns 2 ou 3 professores que tentam colocar o empreendorismo na faculdade. Acho que muito também depende dos alunos, que são acomodados e não buscam se aperfeiçoar nessa área. Como eu queria muito o empreendedorismo, fui atrás exatamente desses professores, que me ajudaram e ajudam até hoje, depois de 5 anos de formado. Veja meu texto sobre o Caminho do Empreendedor no meu blog: http://tenho1ideia.wordpress.com
Abraços.
Ótimo texto mesmo.
Me identifiquei tanto com ele que parece até ter sido eu a escritora. Rs…
Também sou formada pela ESPM e confesso que tenho penado um pouco para dar os primeiros passos à abertura do meu próprio negócio.
Além de correr atrás das informações necessárias para o meu negócio, tenho dedicado boa parte do meu tempo para ler textos sobre empreendedorismo a fim de conhecer melhor o assunto e incorporá-lo de forma mais proveitosa.
Bom, mas Rhamsés, respondendo à sua pergunta, também indico a Endeavor. Além de oferecer palestras, cursos e conteúdos bem interessantes, ela te proporciona uma networking legal.
Pto de contato, pretendo visitá-lo/ experimentá-lo em breve!
Abraços.
Caros,
ótimo texto.
Infelizmente, essa não é uma falha apenas das “escolas de business”, mas sim da grande maioria dos cursos universitários por aí. Que escola de medicina ensina a um médico como abrir sua própria clínica e gerenciar seus custos operacionais? Que escola de engenharia ensina aos seus alunos como lidar com os operários e negociar com fornecedores?
Falta muito ainda para termos empreendedores saídos das faculdades.
Obrigado,
Vitor